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MASTER PRA QUE?

PRECISA DE MASTERIZAÇÃO?

Por se tratar do último momento antes da prensagem do material, a masterização é a última chance para que correções sejam feitas a um disco. Por isso essa etapa adquire tanta importância, gera tanta expectativa, e é um momento tão complicado na maioria dos projetos de produção musical.
Nela costumam nascer conflitos, muitos deles gerados pela falta de conhecimento dos envolvidos no processo de produção - especialmente os artistas - a respeito de que consiste e de quais as limitações dessa etapa.

  Por definição, o processo visa criar uma mídia “mestre” - dai surge o nome - para ser multiplicada na etapa de prensagem dos discos. Basicamente, são aplicados nesse processo compressores e equalizadores para controlar a dinâmica, volume final, e a coloração da música - enfatizando ou atenuando frequências. Tudo isso com o intuito de criar homogeneidade no material masterizado, para que todas as músicas do disco compartilhem da mesma qualidade técnica de finalização, e de uma identidade sônica reconhecível. 

Nenhum artista quer que seu disco soe com um volume muito abaixo dos padrões do seu estilo, da indústria como um todo, nem com volumes e equalizações muito diferentes entre as faixas. O ouvinte teria de reajustar constantemente seu equipamento para compensar as diferenças.

De certa forma, o formato digital de distribuição de músicas contribuiu para a busca incessante de realizar produções com volumes finais cada vez mais altos. O comportamento do consumo de música na nossa época também não oferece mais o tempo de atenção a uma só obra que era dado aos discos de vinil: agora acontece num contexto de playlists, shuffles e compilações. Todo artista se vê na posição de considerar a reprodução de suas músicas em imediata comparação com as de outros artistas do mundo todo, de forma não sequencial da obra, em aparelhos portáteis, e através de fones de ouvido quase sempre usados em situações de muito ruído externo.

Porém, a busca exagerada por pressão sonora prejudica a percepção de dinâmica da música, já que quanto mais comprimida, menor a diferença de volume entre as partes fortes e fracas. Exageros nesse sentido podem deixar a faixa sem momentos claros de tensão e relaxamento. Grande parte da emoção numa música é criada a partir de como o compositor nos guia a experienciar momentos de força e leveza durante a faixa. Por isso, tratar a masterização como a mera busca por mais volume seria menosprezar a camada artística que a técnica empresta ao trabalho final.

Um dos mais respeitados engenheiros de masterização da atualidade no Brasil é Carlos Freitas, do estúdio Classic Master. Em sua coluna digital para a revista Sound on Sound, ele ressalta a importância de se expandir o olhar sobre a  masterização, buscando compreender o lado emotivo e sensitivo do processo:

Durante o processo de masterização escolho as frequências que vão valorizar as emoções que o artista deseja transmitir em sua obra e as torno mais audíveis. O objetivo de cada trabalho é traduzir isto para o ouvinte

Além disso, Carlos sugere que os engenheiros de som deixem o ego de lado e envolvam os artistas e produtores no processo: 

Para um bom resultado na master é essencial o envolvimento dos artistas e produtores, pois o objetivo é transmitir a emoção. O foco apenas no som e no "volume" não alcança o melhor resultado.

Em resumo, é consenso entre produtores e artistas a necessidade de se realizar o processo de masterização para finalização de um trabalho de produção musical. No entanto, é igualmente importante não estreitar o campo de atuação do processo, focando apenas em volume, nem ampliá-lo demais, buscando corrigir erros que estão muito além do poder que essa etapa de produção exerce sobre uma faixa.

Empregando o esforço correto na busca pela alma de cada música, mantendo congruência e respeito com o conceito do trabalho, a etapa de masterização também é artística, e torna-se essencial à qualidade do produto final.